# 854



“Não havia como explicar. O seu espelho apenas lhe devolvia partes de si.”

Texto: Clara Vales
Foto: Inês Sarzedas

# 852



"A liberdade mede-se pelo tamanho do nosso sorriso."

Texto: Vanda Balão
Foto: Sílvia Bernardino

# 851



"eu sei
labirintos
corredores
cicatrizes
de voos felizes"

Texto: Sónia Oliveira
Foto: Mónica Brandão

# 850



“Talvez essa fosse a função da passagem do tempo. Envelhecer as dores.”

Texto: Mónia Camacho
Foto: Luciana Esteves

# 849



"Muitas vezes não há qualquer ligação entre o pensamento e as mãos, porque ambos parecem ter vida própria."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Carla de Sousa

# 848



«Até ao último fôlego reservou os primeiros momentos do dia, quieta na penumbra, envolvida no calor que não vinha dos cobertores, àquele que acontecera não lhe ter acontecido.»

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Teresa Maria dos Santos

# 847



"Há momentos que são tão insuportavelmente felizes que temos de os esquecer de imediato."

Texto: Miguel Clemente
Foto: Sónia Silva

# 846



"Verbo

Hoje conjuguei o verbo ser na segunda pessoa do singular e adicionei-lhe o meu pronome reflexo. Presente, indicativo de tudo aquilo que, sujeito e complemento, és, em mim.
Aqui chegados, na primeira pessoa do plural, todas as conjugações do mundo se fazem no modo imperfeito ou num longínquo futuro do pretérito do indicativo. Seres-me é, enfim, uma, entre tantas impossibilidades locutivas."

Texto: Clara Vales
Foto: Ana Gilbert

# 843



"Eu quero voar. Quero fechar os olhos, abrir os braços e voar, subir e subir e subir, atravessar nuvens e sentir a sua humidade na ponta da língua, trespassar o azul do céu com o azul dos meus olhos, e continuar, sempre, por aí acima. Quero sentar-me na lua e sentir o cheiro das estrelas. Quero ser engolida por um buraco negro, ser perseguida por uma estrela cadente. Quero espreitar o interior dos satélites, dançar nas suas asas. E depois, regressar."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Sílvia Bernardino

# 842



"Um céu azul, um último café. O enegrecimento lento e denso. Nuvens pesadas e vento. Um cano rompe, chove em meu quarto, a minha sala dá-me um lago que busco secar com panos gastos que nada absorvem. A chuva não cabe em panos."

Texto: Lorena Kim Richter
Foto: Carla de Sousa

# 841



"Até na desistência há beleza. No cativeiro. Na própria morte. Lembrou-se disso enquanto prendia o cabelo. Depois, esperou."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Maria João Alves

# 840



"O futuro não é o que poderia ter sido. Mas ainda está a tempo de ser uma coisa diferente daquilo que é."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Sónia Silva

# 839



“Os pensamentos podem ser como cortinas: separam-nos da realidade.”

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Rita Fernandes

# 838



"As florestas sem caminhos são um mistério que quero percorrer dentro de mim. Sem medo de me perder."

Texto: Cláudia Rocha
Foto: Inês Sarzedas

# 837



"Cordel

Estendi a minha alma no teu cordel. Esventrei meu ser. Esvaziei-o de tudo. Apenas um fio invisível ao mundo, ténue e frágil nos une. Essência imaterial que resiste nesse lugar inóspito a que só posso chamar... amor."

Texto: Clara Vales
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 835



"Tem de existir em nós uma prisão que nos liberte e uma liberdade fora de nós que nos prenda."

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Elisabete Antunes

# 834



"Os nossos dias

Os dias passam. Um após outro. Soletro: V-E-M. Retenho: Vou!!! Espero... Te. Ainda. Sempre. Presente.
- Eu sei! - murmuras. Silêncio."

Texto: Clara Vales
Foto: Mónica Brandão

# 833



"Junto palavras como se isso fosse fácil e inofensivo, conjugo-as formando devaneios e teorias inconsequentes, tal como uma professora estagiária de filosofia, falando sozinha em frente de um espelho decrépito num lúgubre quarto de pensão, ensaiando a sua primeira aula; e que sei eu de filosofia, afinal?"

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Ana Gilbert

# 832



"Às vezes fugimos da luz para trilhar o nosso próprio caminho de ferocidade e dor."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Maria João Alves

# 831



"Uma fração de segundo.
Flash de algum dia,
Fractal.
Porque guardar é ter consigo."

Texto: Maria José Amorim
Foto: Luciana Esteves

# 830


 
"- Bom dia! É só para saberes que o nevoeiro já se dissipou por aqui. O sol já brilha tão louro como o teu sorrir e o mar está tão calmo como o teu olhar.
- Também quero... Que inveja! (Estás inspirado!!!) Boa praia, eu vou até à Baixa pombalina...
- Espero que não descarregues essa inveja sobre as tuas simpáticas galinhas e te ponhas antes a fazer corações, pois esta praia não te foge..."

Texto: José Alberto Vasco
Foto: Carla de Sousa

# 827



"A vida é a tela que pinto todos os dias."

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Carina Martinho Coelho

# 826



"A amizade é o que fica mesmo quando tudo muda. É onde plantamos as raízes."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Ana Marques

# 825



"Deixou a capela e sentou-se diante de uma lápide coberta por um arbusto de flores fartas, rosas. Aglomerado de beleza que curvava a ramalheira. Passarinhos nela se recolhiam, lagartos fugidios se espreguiçavam em pedras quentes. Sol do entardecer. - Cemitérios são incríveis pátios da paz, lugar de nossos silêncios - pensou. Jardins cobertos por azuis a se apagarem, o céu telhado."

Texto: Lorena Kim Richter
Foto: Rosa Paixão

# 824



"bem-vindo
puxe
feche os olhos. veja. abra os olhos
empurre
volte sempre
obrigado"

Texto: Sónia Oliveira
Foto: Ana Gilbert

# 823



“espera
tenho uma esfera dentro, um planeta sem água potável, cuja função é restabelecer o equilíbrio, servir de lastro, purificar o gesto.”

Texto: Sónia Oliveira
Foto: Inês Sarzedas

# 821


"Azul

Todos os azuis são nossos! - disse ela.
E eram."


Texto: Clara Vales
Foto: Ana Moderno

# 820



"Minhas vidas acontecem paralelas e eu nunca me encontro."

Texto: Maria José Amorim
Foto: Sónia Silva

# 819



"Procurei-te em todas as entrelinhas antes de desistir."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Sílvia Bernardino

# 818



"A bolsa rompe. Mais um cano a me trazer o mar. Uma delicada embarcação traz quatro letras em seu casco: E L I S. Abre-se a fenda que te faz nascer revolta. Como gritas. Busco-te. Cheiro-te a pele envolta em panos que não cabem em ti. E te beijo a pequena cabeça .Se eu fosse bicho te lamberia. Queria ser bicho em estábulo quente de terra pisada. Bicho carece de palavra. Só cala. Beijo-te outra vez. Outra fenda se abre e traz a palavra revolvida: Aquela que diz o amor."

Texto: Lorena Kim Richter
Foto: Luciana Esteves

# 817



"Olhou pela janela para fora de si, para o mundo que continuava a existir."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Carla de Sousa

# 816



"Lembra-te
de me amar
quando as rugas invadirem a minha cara sem pedir permissão.
Lembra-te
antes de te esqueceres de mim."

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Maria João Alves

# 815



"Talvez eu sempre tenha querido esta função: guardar."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Teresa Barroso

# 814



“Partilhei somente a alma e tive frio.”

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Carina Martinho Coelho

# 813



"Para que me ensinaste a voar se,
agora que aprendi, me arrancas as asas…
pena por pena por pena...?"

Texto: Helena Silva
Foto: Elisabete Antunes

# 812



"E o cérebro continuava, numa marcha desenfreada, embriagado e louco, a tentar descobrir o sentido da vida e os limites do infinito."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Rita Fernandes

# 811



"Dissolvo-me na monotonia dos dias que faltam."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Inês Sarzedas

# 810



"Cascalho, fazia tempo que não se lembrava de seu som. Pedras paridas da água que se amontoavam debaixo de seus sapatos e desvirtuavam o seu andar. Pedras à beira de alguma infância remota..."

Texto: Lorena Kim Richter
Foto: Ana Gilbert

# 809



"Pior do que ser igual aos outros é ser igual a si próprio uma vida inteira."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Sónia Silva

# 808



"A vida toda sonhei com a ausência de uma metade. Quando concebi que o que faltara não fora aquela parte porvir mas o caminho que me cabia fazer, para que se desse um encontro, as pernas já não correspondiam."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Tânia João

# 807



"A alma sacia-se no vazio dos sonhos."

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 806



"Não perguntou. Nunca perguntou
porque teve medo da resposta.
E preferiu virar as costas.
E viver tranquila. Com a dúvida. O resto da sua vida."


Texto: Helena Silva
Foto: Ana Marques