# 656



"Vivo na desobediência das instruções rigorosas."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Florbela Leopoldo

# 655



"A poesia serve apenas para te pôr no meu mundo."

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Mónica Brandão

# 654



"Escapa-me, continuamente, o lugar a que pertenço na solidez da vida. Escapo-me continuamente, em reflexos fugazes, perdido entre o mundo que flui no meu interior e o que flui fora de mim."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Carla de Sousa

# 653



"No dia da cobardia maior investi-me de toda a coragem."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Rosa Paixão

# 652



"Puxa pelas nossas recordações e sensações naturais. Sustentável. Sem perdas. Num eterno namoro entre a pedra e as nossas madeiras de sempre."

Texto: José Alberto Vasco
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 651



"A noite não dura sempre. Sempre vem o dia para a fazer acordar. O medo não dura sempre. Sempre vens ter comigo para que eu não me perca no medo."

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Tânia João

# 650



"Não nasci no mundo. Foi o mundo que nasceu em mim e eu no mundo que em mim nascia. Fora de mim, o nada. Fora de mim, a irrelevância de ser ou não ser. Fora de mim, o que nunca poderei saber."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Rui Mãos de Cenoura

# 649



"Mais uma pergunta repentina e inesperada, desconfortável, flutuando-me pela mente: para que servem, afinal, as carícias?"

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Ana Moderno

# 648



"Tenho os olhos fixos na matéria-prima desse sonho que me ofereces."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Carla de Sousa

# 647



"Ela, que era ar e fogo, sabia-se terra sempre que ele aportava no seu olhar."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Sílvia Bernardino

# 646



"De traço sereno e amigável. Natural. Uma nova simplicidade viva. Por vezes picante. Dialeticamente adequada. E que até se dá bem com algum modernismo."

Texto: José Alberto Vasco
Foto: Sónia Silva

# 645



"Não conseguia decifrar em que pensava, o que sentia, a vontade que lhe subia ao peito e faria mover as mãos."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Tânia João

# 642



"Quase de um momento para o outro, a modernidade parecia ter-se tornado clássica. E parecia não haver maneirismo que a salvasse. Andei mesmo desencantado. Confesso. Até ao cintilante dia em que tive uma deslumbrante surpresa. Uma verdadeira explosão orgânica. Sorridente que até dava gosto ver. E sentir."

Texto: José Alberto Vasco
Foto: Rosa Paixão

# 641



"A melancolia foi a coisa mais sexual que me aconteceu."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Mónica Brandão

# 640



"Também tu abanas ao sabor da vontade dos outros sem nunca sair do lugar."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Florbela Leopoldo

# 639



"Determinado, caminhou para trás. Horas, dias.
Numa tentativa absurda de enganar o tempo
e conseguir corrigir todos os erros que cometera no passado".

Texto: Helena Silva
Foto: Rui Mãos de Cenoura

# 636





"Travessia
Prendeu a ponta do arame no para peito, a outra ponta presa ao ramo mais corajoso. Lá em baixo todos aplaudiriam, embora ainda não soubessem o que se preparava para acontecer sobre as suas cabeças, nem soubessem tão pouco que o corpo é capaz de tais prodígios, como olhar para cima. Fez uns breves exercícios de aquecimento, ensaiou os passos e o retomar do equilíbrio com uma rápida flexão dos joelhos. Hesitou em relação à lista de nove páginas que teria de levar consigo: quatro numa mão e cinco noutra? Ou ao contrário? Decidiu levar as nove páginas na mão esquerda, da qual mais facilmente se esquecia. A outra ficaria livre para comandar mecanicamente o gesto. Respirou fundo, acariciando com essa respiração a camada espessa de contentamento que lhe forrava o desígnio. Dali a nada estava a meio do arame, os pés em breve acento circunflexo. Se tremia não se via. Não se via. Muito ao longe um dirigível vermelho cortava o lençol de vento que decidira, à falta de melhor dispositivo de segurança, suspender a trajectória para acolher aquele intrépido trapezista sem rede. Coisa nunca vista. Os cinco últimos passos foram breves como colcheias, o restolhar das folhas confundindo-se com o restolhar da lista, o rombo dos aplausos anunciando-se na batida cardíaca. Chegado ao ramo desprendeu o arame que de novo se colou à fachada do prédio. Ali ficou muitos anos, misturado com os cabos eléctricos e os fios telefónicos, guardiões de outros impulsos."

Texto: Sónia Oliveira
Fotos: Carla de Sousa

# 635



"Ironia que o nosso fim seja um início."

Texto: Clara Vales
Foto: Vilma Serrano

# 634



"Absorvi cada momento como se fosse o último, como se tudo o que estava a começar estivesse a expirar. Devorei cada segundo com a intensidade de quem precisa de matar a fome e a sede. Era fome e sede de ti."

Texto: Helena Simão
Foto: Rosa Paixão

# 633



“A tristeza vem de fora. Entra pelas aberturas do corpo e fica cá dentro porque às vezes não consegue sair.”

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 632






"Aprender o equilíbrio com a experiência da vida!

Existem duas maneiras de conquistar uma pessoa, pelo amor ou pela raiva. Se alguém não consegue o amor do outro, vai tentar conquistá-lo com a explosão de toda a sua raiva e ódio na nossa direcção, seja de que forma for: as armas podem ser as palavras, sobretudo as mentiras e as calúnias, as culpas que se atribuem a alguém... Ou vai ou racha, como se costuma dizer. É uma forma de escravizar alguém. É uma forma de violência moral. Afaste-se dessa pessoa, é o melhor. Volte as costas. Com a raiva, essa pessoa sabe que tem poder sobre si. Não continue a dar-lhe ouvidos ou a deixá-la entrar na sua mente. Feche-a à chave num quarto escuro. Há quem queira conquistar o outro pela raiva, realmente, já que não o conquistou pelo amor! Então, prepare-se, pode acontecer consigo. Comigo já aconteceu, e como eu não estava preparada, sucumbi perante o monstro que estava à minha frente. Pelo menos eu, eu não suporto a raiva... E nunca pensei que ela consumisse o meu oxigénio!"

Texto: Anabela França Pais
Foto: Sílvia Bernardino

# 631



"Estacionei no abismo o meu leito de morte."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Sónia Silva

# 630



"Os dias (em) que não VIVEMOS deviam ser descontados ao (pouco) tempo que nos é dado estar no mundo."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Rui Mãos de Cenoura

# 629



"E ficamos ali paradas durante uns segundos, sem saber o que fazer, sem objectivo nem destino, talvez à espera que o choro cesse, ou a manhã chegue, ou o mundo acabe."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Maria João Alves

# 628



"Arrisco-me a chamar-lhe minimalismo sorridente. Com muitas estrelas no seu céu."

Texto: José Alberto Vasco
Foto: Florbela Leopoldo

# 627



"(A)final
E duas linhas paralelas podem, enfim, cruzar-se. Mesmo que seja uma ilusão de óptica, num plano infinito."

Texto: Clara Vales
Foto: Rosa Paixão

# 626



"É o pensamento que se impõe à realidade ou a realidade que se impõe ao pensamento?"

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Sónia Silva

# 625



"A subtil sensação de que a nossa arquitetura andava sem sentido de humor. Mais funcionária que funcional. Palidamente cinzenta. Desmotivando pausadamente os nossos espaços urbanos."

Texto: José Alberto Vasco
Foto: Rui Mãos de Cenoura

# 624



"Queria ser a água que te mata a sede. Ou o que te provoca sede."

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 623



"E se este abraço fosse simplesmente o início e o fim do nosso mundo?
E se os nossos braços fossem a âncora que nos mantém vivos?"

Texto: Helena Simão
Foto: Elisabete Antunes

# 622



"Manusear com cuidado: contém fragmentos de alma."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Mónica Brandão

# 621



"E os lençóis amarrotados: ainda impregnados com o calor e o cheiro dos corpos."

Texto: Miguel Clemente
Foto: Sílvia Bernardino

# 620



"Às vezes ela sabia que o dia era pequeno e a sua vida cabia nele.
Outras vezes fazia planos para além de si, de todas as vidas que nunca teria."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Ana Moderno

# 619



"É no silêncio que os milagres acontecem."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Vilma Serrano

# 618



"Água e pele: a única combinação que me resta."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Florbela Leopoldo

# 617



"De longe, chegam ruídos difusos e imperceptíveis, sons misteriosos e descaracterizados, sem origem nem destino, vagueando na atmosfera: resíduos de vidas."

Texto: Miguel Clemente
Foto: Tânia João

# 616



"Existo na margem das coisas. Vivo no limbo do ser. Não penso, sonho."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Rosa Paixão
Pintura: Sílvia Patrício
Colaboração: Leonor Lourenço

# 615



"Sinto uma certa viuvez nas ideias."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Maria João Alves

# 614



"Estou certa de poder emergir com ideias de revolução e liberdades urgentes. Livre. Enfim, livre. Afinal, completa."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Rui Mãos de Cenoura

# 613



"Às vezes apenas a vã filosofia nos permite sonhar com todas as coisas que existem entre o Céu e a Terra."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Carla de Sousa

# 612



"Os materiais, mesmo em estado de repouso, pareciam mover-se e ter vida própria."

Texto: José Alberto Vasco
Foto: Rosa Paixão